“Já não querem saber de nós”: casal de idosos vive em casa destruída e sem apoio em Leiria
Um casal de idosos de Leiria vive há vários dias numa casa sem telhado, sem eletricidade e sem água, depois da destruição provocada pela depressão Kristin, que atingiu violentamente a região.
Os dois afirmam sentir‑se abandonados pela autarquia, que — segundo dizem — apenas demonstrou preocupação quando era necessário levá‑los a votar.
🏚️ Casa destruída e condições de vida indignas
A tempestade arrancou por completo o telhado da habitação, deixando o interior exposto à chuva, vento e frio.
Sem luz, sem água e sem meios para reparar os estragos, o casal tem sobrevivido em condições extremamente precárias, dependendo da boa vontade de vizinhos e voluntários.
A situação não é isolada: várias famílias da região de Leiria continuam a viver em casas severamente danificadas, algumas também sem telhado, após a passagem da depressão Kristin.
⚠️ Acusações à autarquia: “Para votar vieram buscar-nos, agora ignoram-nos”
O casal denuncia que não recebeu qualquer apoio municipal, apesar de ter pedido ajuda.
Afirmam que a diferença de tratamento é evidente:
“Quando foi para votarmos, vieram buscar-nos a casa numa carrinha. Agora que precisamos mesmo, ninguém aparece.”
Segundo o Correio da Manhã, esta queixa tem sido repetida por outros moradores afetados, que relatam falta de resposta, atrasos e ausência de acompanhamento por parte das autoridades locais.
🌧️ Uma região devastada pela depressão Kristin
A destruição causada pela tempestade foi extensa:
- milhares de casas ficaram danificadas,
- centenas perderam telhados,
- muitas zonas ficaram dias sem eletricidade,
- comunicações e acessos foram afetados,
- voluntários e moradores têm tentado reparar estragos por conta própria.
Em várias localidades do distrito, famílias continuam a viver em casas sem condições mínimas, enquanto aguardam materiais, mão de obra ou apoio institucional.
🆘 Falta de apoio social: um problema que não é novo
Apesar de existirem programas municipais dedicados ao apoio a idosos e pessoas vulneráveis, como iniciativas de envelhecimento ativo e projetos de acompanhamento domiciliário, estes não têm sido suficientes para responder à emergência criada pela tempestade.
O caso deste casal expõe uma falha estrutural:
quando a crise chega, muitos idosos ficam invisíveis.
🕯️ Reflexão final
A história deste casal não é apenas sobre uma casa sem telhado.
É sobre solidão, desproteção e a sensação de abandono que tantas pessoas idosas enfrentam em Portugal.
A destruição provocada pela depressão Kristin revelou mais do que danos materiais: revelou fragilidades sociais profundas.
Mostrou que, enquanto o país se mobiliza para votar, reconstruir ou avançar, há quem fique para trás — silenciosamente, discretamente, perigosamente.
E lembra-nos que o envelhecimento digno não pode depender da sorte, do acaso ou da boa vontade de vizinhos.
Tem de ser uma prioridade real.

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