Super Fungo hospitalar “Candida auris” identificado pela primeira vez em Portugal
Portugal registou, pela primeira vez, casos confirmados de infeção pelo fungo hospitalar “Candida auris”, uma ameaça global à saúde pública devido à sua elevada resistência a medicamentos e à facilidade de transmissão em ambientes clínicos. A descoberta foi feita por uma equipa de investigadores liderada pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), que analisou oito casos detetados em 2023 num hospital da região Norte.
🧬 Primeiros casos confirmados no país
Segundo o estudo, publicado na revista Journal of Fungi em outubro de 2025, foram identificados:
- oito casos de infeção ou colonização,
- três infeções invasivas,
- três mortes, embora nenhuma exclusivamente causada pelo fungo, mas sim por comorbilidades graves dos doentes.
A FMUP sublinha que a deteção destes casos reforça a necessidade de vigilância hospitalar reforçada, uma vez que o fungo é resistente a múltiplos antifúngicos e pode persistir em superfícies e equipamentos médicos.
🏥 Transmissão ocorre sobretudo em ambiente hospitalar
A “Candida auris” não se transmite pelo ar. A propagação acontece através de:
- contacto direto com doentes infetados ou colonizados,
- contacto com profissionais de saúde,
- superfícies e dispositivos contaminados.
Por isso, o reforço de medidas de higiene e desinfeção é considerado essencial para evitar surtos.
🧠 O que é a “Candida auris”?
Identificada pela primeira vez no Japão em 2009, a “Candida auris” já foi detetada em cerca de 60 países e é considerada uma das maiores ameaças emergentes à saúde pública global.
O fungo pode:
- entrar na corrente sanguínea,
- colonizar a pele,
- causar infeções invasivas em órgãos vitais,
- resistir a vários medicamentos antifúngicos,
- sobreviver longos períodos em superfícies hospitalares.
A taxa de mortalidade associada varia entre 30% e 60%, embora a maioria dos casos envolva doentes com outras patologias graves.
🧪 Diagnóstico difícil e necessidade de investigação contínua
Métodos laboratoriais comuns podem falhar na identificação da “Candida auris”, sendo necessário recorrer a técnicas específicas e testes de sensibilidade para determinar o tratamento mais eficaz.
A investigadora Sofia Costa de Oliveira, que coordenou o estudo, destaca:
“É fundamental reforçar a investigação translacional e a articulação entre universidades, hospitais e ULS para responder a desafios emergentes em saúde pública”.
O próximo passo da equipa será estudar o impacto das mutações detetadas na resistência antifúngica e na progressão da infeção.
🌍 Europa já registou mais de 4.000 casos
O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) alertou, em 2025, para a rápida disseminação do fungo.
Entre 2013 e 2023, foram registados mais de 4.000 casos na União Europeia, com 1.346 infeções só em 2023, distribuídas por 18 países.
Espanha, Itália, Grécia, Roménia e Alemanha foram os países mais afetados na última década.
🧭 Portugal entra agora na lista de países com casos confirmados
Com estes primeiros oito casos identificados, Portugal junta-se à lista de países onde a “Candida auris” já circula.
As autoridades de saúde reforçam a importância de:
- higiene rigorosa das mãos,
- desinfeção de superfícies hospitalares,
- isolamento de doentes colonizados ou infetados,
- vigilância laboratorial contínua.
A investigação portuguesa envolveu especialistas da FMUP, ULS São João, CESAM e FCUP, num esforço conjunto para compreender e controlar esta ameaça emergente.

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