Morreu Orlando Raimundo: O jornalista que imortalizou o Estado Novo e viveu o 25 de Abril


Portugal perdeu uma das suas vozes mais lúcidas na investigação histórica. Orlando Raimundo, jornalista de carreira e especialista no período do Estado Novo, faleceu aos 77 anos, deixando um legado inestimável na literatura e no jornalismo nacional.

Uma vida dedicada ao jornalismo de referência

Com uma carreira que atravessou mais de três décadas, Orlando Raimundo foi uma testemunha ocular da história recente de Portugal. O seu percurso ficou marcado pela cobertura da Revolução de 25 de Abril para o jornal O Século. Mais tarde, o seu talento passou por redações de renome como o Diário Popular e o Expresso, onde colaborou durante vinte anos.

A sua influência no setor foi além da escrita: Raimundo foi um dos fundadores do Cenjor (Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas) e teve um papel fundamental na criação do primeiro jornal livre na Guiné-Bissau, após a independência.

O historiador que desvendou o "Salazarismo"

Como investigador, Orlando Raimundo licenciou-se em Ciência Política e Relações Internacionais, tendo completado a sua formação em jornalismo em cidades como Paris e Tóquio. O seu rigor académico permitiu-lhe publicar obras fundamentais sob a chancela da editora Dom Quixote, tais como:

  • "O Último Salazarista"

  • "António Ferro, o Inventor do Salazarismo"

  • "A Outra Face de Américo Thomaz"

As suas obras são hoje consultadas por quem deseja entender as figuras mais influentes e os bastidores do regime anterior a 1974.

Despedida após doença prolongada

De acordo com as informações avançadas pelo jornal regional O Mirante e confirmadas pela sua editora, o falecimento ocorreu na passada terça-feira, vítima de uma doença prolongada. O desaparecimento de Orlando Raimundo é visto como uma perda significativa para a cultura portuguesa, sendo recordado pelos colegas como um profissional de rigor extremo e uma memória viva da nossa democracia.

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