Doente oncológica em fase terminal acaba deitada no chão das urgências de Coimbra por falta de macas


Doente oncológica em fase terminal deixada no chão das urgências de Coimbra por falta de macas: família denuncia abandono

Uma mulher de 59 anos, doente oncológica em fase terminal, foi obrigada a permanecer deitada no chão das urgências do Hospital de Coimbra devido à falta de macas, numa situação que está a gerar indignação pública e levou a Unidade Local de Saúde de Coimbra a abrir um processo de averiguações.

O caso ocorreu na quinta‑feira e foi denunciado pelo filho, João Gaspar, através de uma publicação nas redes sociais, onde descreveu o sofrimento extremo da mãe e a ausência de resposta dos serviços de emergência.

💔 “As dores eram insuportáveis”: filho descreve cenário dramático

Segundo o relato, a mulher sofre de cancro generalizado na zona abdominal, faz quimioterapia e vive com dores constantes. Não consegue andar sozinha nem permanecer sentada por longos períodos.

João Gaspar tentou pedir ajuda à Linha SNS 24, mas ninguém atendeu. Ligou depois para o 112, que inicialmente garantiu o envio de uma ambulância — mas, vinte minutos mais tarde, voltou a ligar para informar que não havia ambulâncias disponíveis e que a família teria de aguardar por tempo indeterminado.

Sem alternativa, o filho levou a mãe no carro particular, deitada no banco de trás.

🚑 Chegada ao hospital: sem ambulâncias, sem macas e sem apoio

À entrada das urgências, a situação agravou‑se.
João Gaspar avisou que chegava com uma doente grave, mas foi instruído apenas a falar com a polícia. Quando pediu uma maca, disseram‑lhe que não havia nenhuma disponível.

Sugeriram uma cadeira de rodas — mas a mãe não conseguia sentar‑se devido às dores intensas.

Sem qualquer apoio imediato, o filho viu‑se obrigado a deitar a mãe no chão, sobre uma manta que tinha levado consigo. A mulher gritava de dores enquanto aguardava atendimento.

“Só quando perceberam que aquela imagem estava a ser registada é que alguém começou a agir.” — relatou o filho.

🏥 Hospital abre processo de averiguações

Após o episódio, a doente recebeu soro, foi medicada com morfina e realizou exames.
A ULS de Coimbra confirmou à SIC que irá abrir um processo interno para apurar responsabilidades e compreender como uma situação desta gravidade pôde acontecer.

A mulher teve alta no mesmo dia, mas voltou a necessitar de cuidados e encontra‑se novamente internada.

⚠️ Um caso que expõe falhas graves no sistema de emergência

O episódio levanta questões sobre:

  • Falta de ambulâncias disponíveis
  • Falta de macas nas urgências
  • Demora no atendimento
  • Falhas na Linha SNS 24
  • Sobrecarga dos hospitais em plena época de gripe

Vários especialistas têm alertado para o colapso iminente das urgências hospitalares, e este caso tornou‑se mais um símbolo da crise no SNS.

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