Uma perda irreparável para a música portuguesa
António Chainho, considerado uma das maiores referências da guitarra portuguesa, morreu esta terça‑feira, 27 de janeiro de 2026, na sua residência em Alfragide, no dia em que completaria 88 anos. A informação foi confirmada pelo seu agente artístico.
Uma carreira de mais de seis décadas
Com mais de 60 anos dedicados à música, Chainho construiu um percurso singular, reconhecido dentro e fora de Portugal. A sua ligação ao fado começou na década de 1960, período em que se afirmou como guitarrista de excelência no meio fadista.
Natural de São Francisco da Serra, no distrito de Beja, nasceu a 27 de janeiro de 1938 e desenvolveu uma linguagem musical própria, marcada pela fusão entre tradição e inovação.
Últimos anos e despedida dos palcos
Em setembro de 2024, António Chainho encerrou oficialmente a carreira, após seis décadas de atividade. Nesse mesmo ano lançou o seu último álbum, “O Abraço da Guitarra”, um trabalho de homenagem aos mestres que o influenciaram através da rádio.
O disco foi amplamente elogiado pela crítica e marcou o fim simbólico de uma vida inteiramente dedicada ao instrumento que o consagrou.
Colaborações com nomes nacionais e internacionais
Ao longo da carreira, Chainho colaborou com artistas de renome mundial, entre os quais:
Gal Costa
Fafá de Belém
José Carreras
Adriana Calcanhotto
Rui Veloso
Paulo de Carvalho
Hélder Moutinho
Nina Miranda
Estas parcerias reforçaram o seu estatuto como embaixador da guitarra portuguesa no mundo.
Discografia e legado artístico
O músico editou sete álbuns em nome próprio e um DVD gravado ao vivo no Centro Cultural de Belém. O seu trabalho influenciou várias gerações de guitarristas e contribuiu para a internacionalização do fado instrumental.
Em 2022, foi condecorado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reconhecimento máximo do impacto da sua obra na cultura portuguesa.
A marca deixada na guitarra portuguesa
A crítica especializada referia‑se a António Chainho como “o mestre da guitarra portuguesa”, título que acompanhou toda a sua carreira. A sua técnica, sensibilidade e capacidade de reinventar o instrumento tornaram‑no uma figura incontornável da música portuguesa.
🕊️ Reflexão final
A morte de António Chainho representa o fim de uma era para a guitarra portuguesa. Mais do que um músico excecional, foi um guardião da tradição e, ao mesmo tempo, um criador que ousou inovar sem perder a essência do fado. O seu legado permanece vivo nas gravações, nos discípulos que inspirou e na forma como elevou o instrumento a um patamar de reconhecimento internacional. A guitarra portuguesa perde um mestre, mas a sua obra continuará a ecoar por muitas gerações.

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