Um percurso artístico de seis décadas que marcou a pintura portuguesa
O mundo das artes plásticas perdeu esta quarta‑feira, 17 de dezembro, um dos seus nomes de referência. Guilherme Parente, pintor lisboeta nascido em 1940, faleceu aos 85 anos no Hospital de Cascais, após agravamento do seu estado de saúde.
O velório realiza‑se na sexta‑feira, a partir das 16h00, no Agnus Dei Centro Funerário de Alcabideche, seguindo‑se a missa de corpo presente no sábado, às 14h30.
Formação e primeiros passos
- Iniciou estudos de Pintura em 1962, na Sociedade Nacional de Belas Artes, com o mestre Roberto Araújo.
- Frequentou cursos de gravura na Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses.
- Entre 1968 e 1970, foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian na Slade School of Fine Arts, em Londres, onde teve como professor Bartolomeu Cid dos Santos.
- Em 1970 apresentou a sua primeira exposição individual na Sociedade Nacional de Belas Artes, instituição de cuja direção fez parte entre 1973 e 1989.
Reconhecimento nacional e internacional
- Ao longo de quase 60 anos de carreira, realizou cerca de 100 exposições individuais em Portugal e no estrangeiro.
- Expôs em cidades como Paris, Londres, Madrid, Roma, Bruxelas, Frankfurt, Tóquio, Macau, Goa, Atlanta e Córsega.
- Participou em projetos marcantes, como Lisboa’94 Capital Europeia da Cultura, com a instalação “O atelier voltado para a rua”.
- Criou obras públicas de grande impacto, como “Bandeiras no Jardim das Oliveiras” (2002, CCB), “Sete Navios” e “Presépio” (Cidadela de Cascais), ou “Pelos 4 cantos do mundo” (2014, Terreiro do Paço).
Estilo e distinções
- Conhecido pelo estilo lírico e narrativo, foi distinguido com o Prémio Malhoa (1975) e o Prémio de Pintura da Sociedade Nacional de Belas Artes (1989).
- A sua obra integra coleções de referência, como a Fundação Gulbenkian, Museu Nacional de Arte Contemporânea, Casa de Serralves, Fundação Oriente, Museu Machado de Castro e Museu da Cidade de Lisboa.
- Críticos como José‑Augusto França, Rui Mário Gonçalves e Bernardo Pinto de Almeida destacaram a sua pintura como profundamente poética, meditativa e marcada por uma nostalgia luminosa.
Últimos trabalhos
A sua mais recente exposição, “Mistério e Revelação – Pintura e Desenho 1960‑70”, com curadoria de Nuno Faria, está patente na Fundação Carmona e Costa, em Lisboa, até 20 de dezembro.
Está ainda prevista para o próximo ano uma nova publicação dedicada ao artista, também pela Fundação Carmona e Costa.
✨ Reflexão final
Com a morte de Guilherme Parente, desaparece um dos grandes nomes da pintura contemporânea portuguesa. A sua obra, marcada pela poesia visual e pela ligação entre tradição e modernidade, continuará a inspirar gerações de artistas e amantes da arte. O seu percurso internacional e a presença em coleções de prestígio consolidam um legado que transcende fronteiras e reafirma o papel da arte portuguesa no panorama mundial.

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