Despedida Marcada pela Dor: Última Homenagem a Diogo Jota e André Silva
Foi no passado sábado, dia 5 de julho, que se realizou o funeral de Diogo Jota e do irmão, André Silva, ambos vítimas de um trágico acidente de viação. A cerimónia fúnebre decorreu na Igreja Matriz de Gondomar, onde se reuniram centenas de pessoas para prestar a última homenagem aos dois irmãos que partiram demasiado cedo.
Uma Celebração comovente
Durante o serviço religioso, o bispo do Porto, D. Manuel Linda, deixou palavras emocionadas especialmente dirigidas aos três filhos de Diogo Jota – Dinis, Duarte e Mafalda –, fruto da sua relação com Rute Cardoso.
Apesar de as crianças não estarem fisicamente presentes, a mensagem foi clara, profunda e carregada de compaixão:
“Queridos Dinis, Duarte e Mafalda, vocês não estão aqui, mas eu quero falar convosco mesmo não estando aqui presentes. (…) Sei que neste momento sofreis imensamente. Ou talvez não, porque nem vos dais conta da tragédia que se abateu sobre a vossa família. Vireis a tomar consciência mais tarde. E vai ser terrível. Mas eu vou rezar muito a Jesus por vós.”
Palavras que tocam o coração
O bispo prosseguiu com uma homenagem comovente não só aos filhos, mas também à dor da companheira de Diogo, Rute, e de toda a família:
“A vossa mãe, a dona Rute, tem o coração despedaçado. Também os vossos avós, a dona Isabel e o senhor Joaquim, vivem uma dor sem nome. Ver à sua frente uma urna com os restos mortais de um filho é, provavelmente, o sofrimento mais profundo que um ser humano pode sentir. Mas quando são duas urnas, com os corpos de dois irmãos… não há palavras que cheguem. Apenas sentimentos. E todos nós, aqui, sentimos convosco.”
No exterior da igreja, foram colocados altifalantes para que quem não conseguiu entrar pudesse acompanhar a homilia e partilhar do momento de homenagem e recolhimento.
Quando a dor ultrapassa as palavras...
A perda de dois irmãos de forma tão abrupta e trágica deixa uma marca irreversível em todos os que os conheciam. Mas a dor da família — especialmente dos filhos pequenos que ainda não compreendem completamente o que se passou — ressoa fundo em todos nós.
Nestes momentos, palavras tornam-se frágeis e insuficientes. O que realmente importa é a presença, o afeto e o apoio mútuo. A união de uma comunidade, como aconteceu em Gondomar, demonstra que, mesmo perante o pior, a empatia e o amor humano têm força para confortar — ainda que nunca curem por completo.
Talvez o tempo não apague a dor, mas pode ensinar-nos a viver com ela, transformando o sofrimento em homenagem, em memória viva, em força para continuar — por quem partiu, mas sobretudo por quem fica.

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